Colaric, S. (2007). Ferramentas de pesquisa intencional de informação enquanto ferramentas cognitivas. In D. H. Jonassen, Computadores, Ferramentas Cognitivas - Desenvolver o pensamento crítico nas escolas (pp. 195-213). Porto Editora.
Numa época em que a Web parece ser a resposta para tudo, a autora coloca a questão tão evidente, quanto essencial: “mas qual é a pergunta?” (p. 195). Ao fazê-lo procura recentrar a questão da utilização das TIC em educação naquilo que considera ser o mais importante, isto é, a aprendizagem. Deste modo, Colaric defende neste capítulo que a Web apenas será um apoio para a aprendizagem, “se os alunos formularem uma necessidade de informação e pesquisarem de forma intencional a Web para suprirem essa necessidade” (p. 195).
Descrevendo a WWW como uma “gigante base de conhecimento hipermédia” (p. 196), na qual, não raramente, os seus utilizadores se perdem por entre tópicos e hiperligações desviando-se do seu objectivo primeiro, Colaric conclui que “navegar não resulta necessariamente em pensamento e aprendizagem” (p.197). Assim, uma aprendizagem intencional requer que os alunos: tenham um objectivo claro e se focalizem nesse objectivo (focalização); tenham necessidade de preencher lacunas no seu conhecimento, pois “quando articulam essa necessidade, exprimem uma intenção” (p. 197) (intencionalidade).
Ora é no sentido de suportar/ apoiar esta pesquisa intencional que a autora se propõe descrever ferramentas e métodos “para auxiliar os alunos a articularem as suas intenções, focalizando-as em pesquisa de informação eficazes” (p. 197). Neste caso concreto aborda três métodos:
- Navegação social – podemos considerar que ao enviarem uns ou outros, por email, URL’s ou ao construírem sítios com apontadores para outras páginas, os utilizadores envolvem-se naquilo a que Dieberger (1997) denominou como navegação social. Esta pode ser directa ou indirecta, sendo que a directa, por se processar dentro de uma comunidade discursiva (ex: Chats, MUD (domínio multiutilizador), MOO (MUD orientados para um objectivo específico), “será mais produtiva em termos de aprendizagem” (p 198). A navegação social constitui-se, assim, como uma poderosa forma de comunicação e como uma medida clara de compreensão, pois as páginas Web de navegação social “podem ser analisadas e avaliadas em termos de aprendizagem” (199).
- Motores de busca – “é constituído por uma base de dados na WWW, assim como pelas ferramentas que a geram e que lhe dão acesso” (p. 201). Sob esta denominação podemos encontrar: os directórios (o Yahoo, por exemplo) que se organizam segundo uma estrutura hierárquica e onde podemos encontrar mais facilmente o que procuramos, pois “os sítios aí incluídos são analisados por pessoas que posteriormente os agrupam em categorias apropriadas” (p. 201); e os motores de busca propriamente ditos, como o Altavista ou o Google, que se distinguem dos directórios pela forma de compilação dos dados que é feita através de programas informáticos e pela ausência de uma estrutura hierárquica. No entender de Colaric os motores de busca podem ser considerados uma ferramenta cognitiva “principalmente pelo facto de promoverem o pensamento reflexivo” (p. 202), pois ao utilizá-lo o aluno “tem de avaliar e reflectir constantemente sobre aquilo que procura e sobre a forma como a informação pode ser avaliada” (p. 203).
- Agentes inteligentes – de forma simples e concisa, um agente inteligente é um programa informático que age em representação de uma pessoa, filtrando a informação, avaliando a utilidade da mesma e transmitindo ao seu dono aquilo que ele necessita. Dito de outro modo, “os agentes inteligentes automatizam o processo de recolha e processamento de informação obtida a partir da WWW” (p 204-205). É o caso do Webby (Web Browser Intelligent Agent) e do KnU (Knowledge Utility).
Em suma estes três métodos são ferramentas cognitivas porque respondem à intencionalidade e à focalização exigidas por uma pesquisa intencional e porque existe “alguma forma de inteligência na ferramenta, isto é, a ferramenta representa uma forma de pensamento” (p. 213).

